Era difícil reconhecer. As coisas haviam mudado, sem dúvida: O colégio era novo, meus colegas seriam diferentes, as matérias tornariam-se mais ou menos atraentes com novos professores, e até o ponto de ônibus eu teria que pegar em outro lugar!
Quase tudo se modificou, menos o horário. Apesar de eu ficar mais tempo em sala de aula eu pegaria o ônibus de sempre.
No primeiro dia tudo que eu vi daquele garoto que tanto tomou meus pensamentos no ano passado foi sua mochila Aquele verde que eu reconhecia em qualquer lugar. Seu rosto, eu o ignorei. Sentada rapidamente em qualquer banco, eu o observava com facilidade a alguns metros em minha frente. “Talvez ele esteja um pouco mais alto” pensei. Aquelas mesmas mochilas, carregadas com afinco diariamente, e seus portadores as segurando com um descuido usual no colo, parecia que dois meses de férias nunca haviam acontecido - o ônibus trilhando seu mesmo caminho e nossas mentes inquietas por mais uma vez estarmos tão perto, e tão longe.
E eu naquele sexta-feira dei-lhe um breve sorriso ao garoto que nunca soube exatamente onde morava, qual era sua idade e nem seu nome. Mas agora, nem ele e nem eu sabíamos, depois de uma semana de reencontro que parecia se estender por mais um ano, que essa pequena despedida seria um grande adeus.
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